Não podemos deixar esquecido os tempos de gloria

Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011
Na região montanhosa da Frígia existiam outrora duas árvores que todos os camponeses, fossem eles de longe ou dali mesmo, sempre apontavam como uma grande maravilha. E estavam cobertos de razão por assim procederem, pois uma das árvores era um carvalho e a outra uma tília, mas ambas nasciam de um mesmo tronco. A história de como isso pôde acontecer constitui uma prova do incomensurável poder dos deuses, e também do modo como recompensam os humildes e os piedosos. Às vezes quando Júpiter já estava saciado de ambrosia e néctar lá em sua morada, o Olimpo, e também um pouco cansado da lira de Apolo e da dança das Graças, costumava descer à Terra e, disfarçado de um simples mortal, punha-se então a procurar aventuras. Nessas incursões, seu companheiro favorito era mercúrio, o mais divertido, mais astuto e mais criativo de todos os deuses. Desta vez, Júpiter estava decidido a verificar até que ponto chegava a hospitalidade do povo da Frígia. Essa qualidade era-lhe especialmente importante, pois estavam sob a sua proteção todos os hóspedes e todas as pessoas que procuravam abrigo em terra estranha. Para procederem a essa verificação, os dois deuses assumiram a forma de dois viandantes e perambularam por toda a região, batendo à porta tanto das cabanas humildes quanto das casas ricas que iam surgindo por onde passavam. Pediam alimento e um lugar para descansar, mas não eram recebidos por ninguém: insolentemente, todos lhes batiam as portas na cara. Fizeram a mesma experiência em centenas de casas, e foram tratados do mesmo modo por todos os proprietários. Por fim, chegaram a uma cabana das mais humildes. Era coberta de palha, e mais pobre do que todas as casas pelas quais até então haviam passado. Ao baterem, porém, a porta foi aberta de par em par e uma voz muito agradável convidou-os a entrar. De tão baixa que era a entrada, tiveram de curvar-se para passar por ela mas, uma vez lá dentro, perceberam que tudo estava muito bem arrumado e limpo. Um casal de velhinhos, ambos com uma expressão muito amigável, deu-lhes as boas-vindas do modo mais acolhedor possível, não poupando esforços para que se sentissem confortavelmente instalados. O dono da casa colocou um banco perto da lareira e pediu-lhes que ali se deitassem para descansar seus corpos exaustos; sua mulher estendeu uma manta sobre o banco, contando-lhes que seu nome era Báucis, e que o marido chamava-se Filêmon. Viviam naquela cabana desde o seu casamento, e tinham sido sempre muito felizes. "Somos pobres," disse, "mas a pobreza não é uma coisa assim tão má quando não se tem grandes ambições, e uma boa disposição de espírito também ajuda muito." Enquanto ia falando, continuava a preparar coisas para eles. Abanou os tições da lareira escura até que um fogo muito agradável começou a arder, e pendurou sobre as chamas uma panela cheia de água. Assim que esta começava a ferver, o marido voltou da horta com um belo repolho que foi, por sua vez, colocado dentro da panela juntamente com um pedaço de carne de porco que pendia de uma dos vigas do teto. Enquanto a refeição ia sendo preparada, Báucis pôs a mesa com suas mãos velhas e trêmulas. Uma das pernas da mesa era mais curta que as outras, mas ela calçou-a com um pedaço de um prato quebrado. Sobre a mesa, colocou azeitonas, rabanetes e vários ovos que tinha assado sobre as cinzas quentes. A esta altura, o repolho e o toucinho já estavam prontos, e o velho empurrou para perto da mesa dois banquinhos de pernas bambas, convidando seus hóspedes a tomarem assento e comerem. Em seguida, trouxe-lhes taças de madeira de faia e um recipiente de barro cheio de um vinho que parecia vinagre diluído em muita água. Filêmon, porém, estava muito orgulhoso e feliz por poder acrescentar aquela iguaria à ceia, e muito atento, voltava a encher as taças assim que estivessem vazias. Os dois velhinhos estavam tão encantados e animados com o sucesso de sua hospitalidade que demoraram muito a se dar conta de uma coisa muito estranha que estava acontecendo – a jarra de vinho nunca se esvaziava. A despeito do grande número de taças que já haviam sido bebidas, o nível do vinho não se alterava, e a bebida continuava chegando até a borda. Quando perceberam essa maravilha, entreolharam-se apavorados e começaram a orar em silêncio e de olhos baixos. Depois, trêmulos e com voz embargada, rogaram aos hóspedes que perdoassem a pobreza da ceia oferecida. "Temos um ganso", disse Filêmon, "que deveríamos ter oferecido a Vossas Senhorias, mas tenham a bondade de esperar, pois vamos prepará-lo rapidamente e servi-lo em seguida." Mas não havia jeito de conseguirem agarrar o ganso. Depois de muitas tentativas em vão, ficaram exaustos, enquanto Júpiter e Mercúrio se divertiam muito com a cena. Quando, porém, Filêmon e Báucis já não tinham mais condições de continuar com sua caçada, os deuses sentiram que era o momento de entrar em ação, o que fizeram de forma realmente generosa. "Hospedastes hoje dois deuses em vossa casa", disseram, "e, portanto, tereis a recompensa merecida. Puniremos duramente este país cruel que despreza o pobre estrangeiro, mas é nosso desejo poupar-vos." Em seguida, levaram os dois velhinhos para fora da cabana e pediram-lhes que olhassem em redor. Para seu grande espanto, a única coisa que viam era água. O campo todo havia desaparecido, e um grande lago cercava o local onde se encontravam. Os vizinhos nunca tinham sido bondosos com os dois, mas, mesmo assim, Báucis e Filêmon choraram por eles. De repente, porém, uma grande maravilha fez com que suas lágrimas secassem: diante de seus olhos, a minúscula e humilde cabana que por tanto tinha sido o seu lar transformara-se em um templo majestoso, com colunas do mais branco mármore e um reluzente teto de ouro. "Meus bons amigos," disse Júpiter, "pedi o que quiserdes, e vosso desejo será imediatamente satisfeito." Os dois velhinhos sussurraram algumas palavras entre si, e em seguida Filêmon começou a falar. "Permiti que nós tornemos vossos sacerdotes, e que passemos a tomar conta deste vosso templo – e, já vivemos tanto tempo juntos, não deixeis que nenhum de nós sobreviva ao outro, concedendo-nos a graça de morrermos juntos." Os deuses concordaram, muito satisfeitos com o que ouviram. Por muito tempo, Filêmon e Báucis serviram naquele grandioso edifício, mas a história não nos revela se alguma vez chegaram a sentir saudades da antiga casinha aconchegante e do crepitar alegre e cordial de sua lareira. Um dia, porém, em que mais uma vez ali estavam diante daquela edificação magnífica em mármore e ouro, puseram-se a falar sobre a vida passada, que tinha sido tão dura e, ao mesmo tempo, tão feliz. A esta altura da vida, já estavam muito idosos. De repente, enquanto trocavam recordações, perceberam que muitas folhas começaram a brotar de ambos. Depois, viram que sua pele ia sendo transformada em casca de árvore, e só tiveram tempo de dizer um ao outro: "Adeus, meu grande amor." Assim que seus lábios pronunciaram essas derradeiras palavras, transformaram-se em árvores, mas mesmo assim continuaram juntos, pois a tília e o carvalho nasciam de um mesmo tronco. De todas as partes do mundo acorriam pessoas para admirar-se com aquela maravilha, e, em honra do casal tão piedoso e fiel, dos ramos das duas árvores pendiam sempre as mais belas grinaldas de flores.
publicado por olharopassado às 17:50
|

Os gregos tinham muitas lendas do passado distante: de Foroneus, o primeiro homem, de Deucalião e Pirra, que sobreviveram a uma inundação enviada por Zeus para livrar o mundo dos homens maus. Mas quando Sólon, o estadista grego, relatou essas lendas aos sacerdotes do antigo Egito, eles riram. "Vocês, gregos, nada sabem de sua própria história. Vocês falam de uma inundação, mas houve várias. Foi numa dessas inundações que seus ancestrais morreram."E os sacerdotes contaram a Sólon a história da Ilha de Atlântida de onde, nove mil anos antes, a mais nobre raça de homens que já viveu governava a maior parte do mundo conhecido. Um pobre casal, chamados Evenor e Leudice, viviam em uma ilha pedregosa, com a filha, Clito. Posêidon, deus do mar, ficou enfeitiçado pela beleza de Clito e a esposou. Ele, então, reformou a ilha para fazer dela uma morada digna de sua noiva. Ele a modelou em uma série de cinturões circulares de mar e terra, com uma bela ilha no centro que se aquecia ao sol. Os ricos campos produziam trigo, frutas e vegetais em abundância, os montes e florestas tinham toda a espécie de animais - até manadas de elefantes - e no subsolo havia vários minérios preciosos. Clito deu a Posêidon cinco pares de gêmeos. Todos eles eram reis e o mais velho, Atlas, era o maior dos reis, e depois deles, seus filhos. O belo reino era chamado de Atlântida. O povo de Atlântida era sábio na arte da paz e da guerra e logo liderava os povos do Mediterrâneo. Todos os reis da ilha contribuíam para o estoque de riquezas do país. O lado de fora do muro da cidade de Atlântida era revestido de bronze, e o lado de dentro, de estanho. O palácio no centro e o templo de Posêidon eram cobertos de ouro. Os edifícios eram construídos de pedras brancas, pretas e vermelhas; às vezes uma única cor, às vezes, com combinações intricadas. Um grande porto se abria para o mar, e pontes foram construídas entre os cinturões de terra. Assim era Atlântida nos seus dias de glória. Por muitos anos, os reis governavam sabiamente e bem, cada um passando sua sabedoria para seu herdeiro. Mas à medida que as gerações se sucediam, o sangue divino dos reis se tornou mais fraco e eles caíam, cada vez mais, sob a influência das paixões mortais e desejos mundanos. Quando antes valorizavam os tesouros apenas por sua beleza, agora eram presas da cobiça. Onde antes o povo tinha vivido em amizade e harmonia, agora disputavam pelo poder e glória. O Grande Zeus, vendo sua raça favorita se afundar, dia a dia, no poço das ambições e vícios humanos, repreendeu Posêidon por deixar tal coisa acontecer. E Posêidon, magoado e furioso, agitou o mar. Uma onda colossal cobriu Atlântida e a ilha submergiu para sempre sob as águas. Onde ela está, ninguém sabe ao certo - nem se, sob o oceano, os filhos de Posêidon andam outra vez pelas ruas de Atlântida em paz e sabedoria, ou se apenas os peixes passam pelas ruínas carcomidas da cidade mitológica.
publicado por olharopassado às 17:47
|

O Elo Perdido perdeu-se na tarde em que distraídos todos os deuses celebravam. O Elo soltou-se tão sutil, sem alardes, nem vendavais, nem tempestades o viram se despregar Rolou céu abaixo e caiu na terra, ninguém sabe o lugar por onde rolou. Quando os deuses acordaram ressaqueados e retomaram seu puxar da corrente do destino, parte dela soltou-se e só então constataram que faltava um pedaço, daquilo que tornava completa a história do tempo e das existências. Reuniram-se incessantemente para recontar os pedaços e poder forjar o exato elo que faltava para que tudo fosse completo novamente. Infrutíferas foram às tentativas de reconstituir a perfeição do que fora perdido, por que faltava algo que ninguém sabia ou lembrava o que era, e só o elo que rolou pro mundo tornaria possível a reconstituição daquilo que ele era parte. Os Deuses haviam perdido a explicação do sentido da vida e não mais dominavam a totalidade da lógica que tornava tudo aquilo possível. Desesperados com a idéia de nunca mais conseguirem explicar o que estava acontecendo reuniram-se, era preciso enviar a terra a busca pelo elo com o risco de nunca mais saber-se a verdade. Zeus que sempre era o primeiro a sugerir uma solução chamou Mnemosine e lhe convidou para trabalharem juntos na empreitada de lembrar como era o Elo Perdido, que completaria a corrente do destino. Embriagaram-se de vinho noites a fio, e encantaram-se com ervas trazidas de vários lugares e por vários deuses e quando a própria Mnemosine já nem lembrava o que faziam ali, deram-se conta que não tinham desvendado o mistério do Elo Perdido. O Elo Perdido perdeu-se na tarde em que distraídos todos os deuses celebravam. O Elo soltou-se tão sutil, sem alardes, nem vendavais, nem tempestades o viram se despregar Rolou céu abaixo e caiu na terra, ninguém sabe o lugar por onde rolou. Quando os deuses acordaram ressaqueados e retomaram seu puxar da corrente do destino, parte dela soltou-se e só então constataram que faltava um pedaço, daquilo que tornava completa a história do tempo e das existências. Reuniram-se incessantemente para recontar os pedaços e poder forjar o exato elo que faltava para que tudo fosse completo novamente. Infrutíferas foram às tentativas de reconstituir a perfeição do que fora perdido, por que faltava algo que ninguém sabia ou lembrava o que era, e só o elo que rolou pro mundo tornaria possível a reconstituição daquilo que ele era parte. Os Deuses haviam perdido a explicação do sentido da vida e não mais dominavam a totalidade da lógica que tornava tudo aquilo possível. Desesperados com a idéia de nunca mais conseguirem explicar o que estava acontecendo reuniram-se, era preciso enviar a terra a busca pelo elo com o risco de nunca mais saber-se a verdade. Zeus que sempre era o primeiro a sugerir uma solução chamou Mnemosine e lhe convidou para trabalharem juntos na empreitada de lembrar como era o Elo Perdido, que completaria a corrente do destino. Embriagaram-se de vinho noites a fio, e encantaram-se com ervas trazidas de vários lugares e por vários deuses e quando a própria Mnemosine já nem lembrava o que faziam ali, deram-se conta que não tinham desvendado o mistério do Elo Perdido. Quando Mnemosine pariu as trigêmeas Calíope, Érato e Polimnia , nasceu a idéia das musas, Zeus que sempre tinha soluções imediatas, imediatamente sugeriu: - Enviaremos a terra nossas filhas para buscarem o Elo Perdido. Chamaram as meninas e contaram pra elas tudo que lembravam do ocorrido, com vários detalhes incríveis narrados pela sempre atenta Mnemosine. As meninas que estavam sempre excitadas e dispostas rapidamente desceram sem nem ao menos saber como era o tal elo e como seria possível reconhecê-lo se o vissem. E justamente isso, que se tem pra resolver. Como as musas eram muito agitadas, disseram que não precisavam de nem mais um conselho, que certamente o elo reconheceriam. Antes que desçam lhes daremos vossos dons é através deles que vocês reconhecerão. Aquilo que esta perdido e ninguém faz idéia de onde está. Na ultima conversa de Mnemosine e Zeus eles desconfiaram que os homens pudessem o estar escondendo, então precisariam retirar destes suas verdades mais íntimas, chamaram assim Érato e lhe deram o dom da Poesia Romântica, era o primeiro dom, com ele ela arrancaria dos seres humanos aquilo que lhes fosse mais arroubado, o mais rápido e profundo. Quando chamaram Calíope e lhe contaram o dom da irmã ela disse, mas o imediato não se lembra do que já foi perdemos assim o passado e o que deu origem aos fatos, reflexivos os pais lhes deram o a Poesia Épica originária de lembranças e fatos já pouco lembrados, a mãe lhe ofereceu uma dose extra do próprio dom, que dizem deixou Mnemosine ainda mais desmemoriada. Ao seu turno Polimnia disse que as palavras eram muitas e que era sempre preciso muito tempo para achar as palavras certas e disse que queria saber sempre o sentido das palavras para não perderem-se as traduções que tornariam qualquer língua possível de ser desvendada, Zeus achou tão inteligente aquele terceiro dom que ofereceu á filha todos os louvores e assim ficaria ela com todos os Hinos entoados para o divino ou o belo. Após descidas a terra houve grave desentendimento entre Zeus e Mnemosine ocasionada por vinhos, fumos e especiarias, decidiram então que procurariam outros dons e continuariam a busca. Mnemosine foi logo falar com Apolo que sabia ser sempre muito inteligente e menos precipitado que Zeus, este se encontrava muito ocupado com uns novos movimentos que tinha descoberto e mostrou todas as novas modalidades que seu corpo era capaz, ensinou tantos movimentos a Mnemosine que em algum tempo nasceram Tália e Mepomene. Zeus que andava um pouco ocupado tentando resolver os problemas causados pelo Elo Perdido ficou felicíssimo com o nascimento das meninas e mandou chamar às filhas, pra que essas lhes ajudassem a distribuir os dons as novas musas Essas disseram que estavam na dúvida sempre do quão realista ou mítico era o que se dizia e que precisavam saber distinguir o grave do efêmero. Zeus chamou Tália e lhe concedeu o dom de arrancar risos daquilo que pareça sem ser, que sejam caricaturas de uma verdade omitida, e assim ela ganhou a Comédia. Para Mepomene Zeus deu um cantil de lágrimas por ela seriam possíveis reconhecer verdades profundas e assim se algum humano estivesse com o Elo Perdido em breve ele emergiria deu-lhe o dom da Tragédia. Apolo ficou muito satisfeito com os dons concedidos por Zeus e assim criou os cinco anéis olímpicos que seriam dados as meninas para que elas barganhassem o Elo Perdido caso o encontrassem Zeus foi ter com Gana para lhe dizer que o elo provavelmente estava na terra e que ele estava disposto a procurar em alguns lugares, mas Gaia tinha um tão lindo jardim e distraíram-se com tantas flores que deram origem a Terpsícore, chamadas novamente as irmãs, elas decidiram que a nova musa deveria balançar os humanos para que o Elo Perdido caísse de seus corpos caso nestes estivesse preso. Como a sugestão partiu das gêmeas de Apolo e este estava sentido de ter perdido a forma dos anéis Olímpicos, durante uma briga com Mnemosine deu a Tercícope o vigor para movimentos prolongados que permitissem o elo soltar-se, Gaia concedeu-lhe o poder de traduzir tudo que estivesse na terra em gestos deram-lhe assim o dom da Dança, Zeus concedeu-lhe o direito de escolher o dom e o nome da próxima musa que nascesse. Zeus achou melhor ir falar com Mnemosine por que esta provavelmente lembrava alguns detalhes que este desconhecia e perderam-se em tantos detalhes que logo, logo Tercícope foi chamada para conceder um dom e dar o nome da musa irmã. Esta disse que andava entediada com o silêncio dos movimentos e queria poder ouvir os movimentos dos homens e das coisas , assim nasceu Euterpe a musa da Música, as irmãs todas encantadas com o dom da caçula concederam-lhe todas um bocado de seus próprios dons. Inesperadamente Calíope engravidou do próprio Apolo e dessa união nasceu Clio a quem Mnemosine, contou toda a História e concedeu-lhe o poder de ser a guardiã dos seus conhecimentos, sendo ela criada, nomeada e agraciada por Mnemosine e Zeus que lhe concedeu também a eloqüência e o dom da narrativa, para que ela contasse aos homens e aos Deuses a História na qual o elo da corrente do destino estava perdido. A última musa foi Urânia filha de Gaia e Urano. Gaia pediu a Mnemosine que a filha não soubesse sua origem e lhe adotasse com a última musa, feito isso em acordo com Zeus e Apolo, foi apresentada as outras irmãs, estas derreteram-se tanto por ela que lhe deram o zodíaco os doze signos para que ela marcasse todos os humanos e pusesse neles uma classificação de atributos para facilitar o trabalho das outras musas. Urano lhe concedeu o poder de vigiar o céu em busca do Elo Perdido e o poder de conhecer o movimento das águas e dos astros. Zeus ainda lhe deu a Matemática pra que ela soubesse fazer cálculos perfeitos para saber se o elo encontrado era mesmo o Elo Perdido... Para melhor acomodar as filhas, Zeus criou o Mouseion, uma linda casa onde colocou todo o conhecimento que os humanos tinham para que as filhas o adquirissem e assim ampliassem seus dons, ficou feito então o acordo Apolo as visitaria para acompanhar as buscas do Elo Perdido, tendo em vista que Zeus andava muito envolvido com conflitos entre divindades externas ao seu panteão, fazia pouco tempo que o Olimpo tinha tomado conhecimento de outros deuses de outros poderes em outros lugares, e já havia a proposta de uma entidade unificada , que mais tarde seria conhecida por DEUS. Por essa época houve a suspeita de que alguns deles poderiam ter roubado o Elo Perdido durante a tarde em que ele sumiu, por esse e outros problemas divinos, Zeus entregou a Apolo a tarefa de acompanhar a busca feita pelas musas, que eram apenas algumas das responsáveis pelo de busca do Elo Perdido. Para cuidar do grande espaço que era o Mouseion ele chamou Crato, que tinha um tic de bater uma mão na outra várias vezes proporcionalmente a felicidade de queria expressar, Zeus o chamou por que Crato havia sido um dos viajantes que descobriu outras divindades e outros panteões e tinha muitas informações importantes para as musas, alem de ter sido de grande ajuda no conflituoso caso de Prometeu e Pandora. Crato educou as musas como todo o afinco, ensinou-lhes línguas e costumes, mitologias, histórias, totens, tabus, evitações, mistérios, coisas do céu, da terra e dos astros. Cada vez que as meninas iam bem ele batia suas mãos umas nas outras e em pouco tempo todas elas tinham pego o costume, assim nasceram os aplausos., quanto mais intensos , mais bem feito tinha sido o trabalho, quando as Musas já estavam prontas pra irem buscar o Elo Perdido Crato morreu, enquanto ensinava Urânia a usar um artigo de caça que havia ganhado de uns deuses de pele vermelha com os quais tentou inutilmente travar negociações. Quando Crato morreu em frente a Urânia que era a caçula, ela chamou pediu pra Urano e Zeus transformarem ele numa estrela, como Crato fora educado por Quíron eles o colocaram na constelação de Sagitário. Foi por essa ocasião que Zeus resolveu distribuir os presentes para as Musas , a fim de que elas utilizassem estes como instrumentos para o seu trabalho. Para ti Calíope que tens o dom da poesia épica , dou-te primeiro a tabuleta por que esta tem o poder de atravessar o tempo e guardar a história dos homens, e dou-te também o buril para que graves na madeira, com rapidez , tudo aquilo que te passar na frente dos olhos. Teu desafio será esperar o tempo do poema , deverás aguardar que a história se desfeche para que o poema possa nascer, guarda contigo tudo que puderes a fim de que mais detalhes tenhamos. Desça e busque o Elo Perdido. Tu Érato, ganharás a lira para que despertes sentimentos adormecidos, teu desafio é buscares o desejo dos homens a beleza afetada, soarás tua bem pequena lira para os prezeres recônditos, faz com que falem o que desejam e o que possuem , para verificarmos se eles possuem ou sabem onde ou com quem está o Elo Perdido. Desça e busque-o. Para ti Polimnia que buscarás o elo nos segredos que só se revelam as divindades te dou esta túnica, para que te ocultes e assim possas saber os segredos que só se revelam ao divino, um destes pode confessar possuir o elo , ou dar indícios de por onde ele esteja, ela também te esconderá de te saberem estrangeira e te estranharem o domínio das diversas línguas. Vá e desvende o segredo do elo. Depois chamou as gêmeas Tália e Melpomêne e entregou-lhes duas máscaras a tragédia e a comédia. Tu Tália por que deves sempre arrancar o que só se revela nos sorrisos levarás contigo o riso constante para que jamais pareças triste, teu desafio é descobrires no que finge seriedade a farsa . Melpomêne pra ti coletares as revelações prantosas deves ocultar teu riso, e permanecerás sempre grave. Teu desafio é desvendar o que causa a dor e o pranto, que constantemente são ocultados pela dor. Em alguma dessas verdades pode estar o Elo Perdido, procurem-no. Tu Terpsícore, melhor que não carregues nada, para que possas te mover com mais facilidade, melhor que não carregues contigo coisas pesadas, neste momento Euterpe Levantou-se e entregou a irmã-madrinha um pequeno plectro, lembrando da vontade desta de ouvir o som das coisas, fica com ele, podes carregá-lo sem que ele te atrapalhe, Zeus enternecido, retirou as cordas da própria sandália e entregou-as a musa dizendo, onde esticares estas cordas ouvirás o som das coisas e arrancaráss das pessoas movimentos lentos ou bruscos que revelem se o Elo Perdido não está preso em seus corpos. Vá e descubra se o elo está preso ao corpo de alguém. Quando viu isso Urânia que ainda não tinha doado nenhum dom a Euterpe, presenteou-a com as notas musicais, que ela havia feito com a matemática, para mostrar que tinha aprendido as notas Euterpe quebrou em vários pedaços o bastão de Urânia e fez a flauta com a qual viveria o desafio de descobrir nas linguagens dos sons , possíveis pistas para o paradeiro do Elo Perdido. A ti Urânia para que possas calcular o tamanho do elo dou-te esta esfera e este compasso para medires o tamanho das coisas, seus movimentos, suas formas e repetições e a esfera te servirá da parâmetro por que muitas coisas se assemelham a forma do elo ela te lembrará sempre seu formato e te auxiliará nas medições. Desça e descubra como é o Elo Perdido. E assim as musas iniciaram seu trabalho...
publicado por olharopassado às 17:41
|

Dafne foi o primeiro amor de Apolo. Não surgiu por acaso, mas pela malícia de Cupido. Apolo viu o menino brincando com seu arco e suas setas e, estando ele próprio muito envaidecido com sua recente vitória sobre Píton, disse-lhe: - Que tens a fazer com armas mortíferas, menino insolente? Deixe-as para as mãos de quem delas sejam dignos. Vê a vitória que com elas alcancei, contra a vasta serpente que estendia o corpo venenoso por grande extensão da planície! Contenta-te com tua tocha, criança, e atiça tua chama, como costumas dizer, mas não te atrevas a intrometer-te com minhas armas. O filho de Vênus ouviu essa palavras e retrucou: - Tuas setas podem ferir todas as outras coisas, Apolo, mas as minhas podem ferir-te. Assim dizendo, pôs-se de pé numa rocha do Parnaso e tirou da aljava duas setas diferentes, uma feita para atrair o amor; outra, para afastá-lo. A primeira era de ouro e tinha a ponta aguçada, a segunda, de ponta rombuda, era de chumbo. Com a seta de ponta de chumbo, feriu a ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu, e com a de ouro feriu Apolo no coração. Sem demora, o deus foi tomado de amor pela donzela e esta sentiu horror à idéia de amar. Seu prazer consistia nas caminhadas pelos bosques, sem pensar em Cupido nem em Himeneu (*). Seu pai muitas vezes lhe dizia: "Filha, deves dar-me um genro, dar-me netos." Temendo o casamento como a um crime, com as belas faces coradas, ela se abraçou ao pai, implorando: "Concede esta graça, pai querido! Faze com que eu não me case jamais!" A contragosto, ele consentiu, observando, ao mesmo tempo, porém: - O teu próprio rosto é contrário a este voto. Apolo amou-a e lutou para obtê-la; ele, que era o oráculo de todo o mundo, não foi bastante sábio para prever o seu próprio destino. Vendo os cabelos caírem desordenados pelos ombros da ninfa, imaginou: "Se são tão belos em desordem, como deverão ser quando arranjados?" Viu seus olhos brilharem como estrelas; viu seus lábios, e não se deu por satisfeito só em vê-los. Admirou suas mãos e os braços, nús até os ombros, e tudo que estava escondido da vista imaginou mais belo ainda. Seguiu-a; ela fugiu, mais rápida que o vento, e não se retardou um momento ante suas súplicas: - Pára, filha de Peneu! - exclamou ele. Não sou um inimigo. Não fujas de mim, como a ovelha foge do lobo, ou a pomba do milhafre. É por amor que te persigo. Sofro de medo que, por minha culpa, caias e te machuques nestas pedras. Não corras tão depressa, peço-te, e correrei também mais devagar. Não sou um homem rude, um campônio boçal. Júpiter é meu pai, sou senhor de Delfos e Tenedos e conheço todas as coisas, presentes e futuras. Sou o deus do canto e da lira. Minhas setas voam certeiras para o alvo. Mas, ah!, uma seta mais fatal que as minhas atravessou-me o coração! Sou o deus da medicina e conheço a virtude de todas as plantas medicinais. Ah! sofro de uma enfermidade que bálsamo algum pode curar! A ninfa continuou sua fuga, nem ouvindo de todo a súplica do deus. E, mesmo a fugir, ela o encantava. O vento agitava-lhe as vestes e os cabelos desatados lhe caíam pelas costas. O deus sentiu-se impaciente ao ver desprezados os seus rogos e, excitado por Cupido, diminuiu a distância que o separava da jovem. Era como um cão perseguindo uma lebre, com a boca aberta, pronto para apanhá-la, enquanto o o débil animal avança, escapando no último momento. Assim voavam o deus e a virgem: ela com as asas do medo; ele com as do amor. O perseguidor é mais rápido, porém, e adianta-se na carreira: sua respiração ofegante, já atinge os cabelos da ninfa. As forças de Dafne começam a fraquejar e, prestes a cair, ela invoca seu pai, o rio-deus: - Ajuda-me, Peneu! Abre a terra para envolver-me, ou muda minhas formas, que me têm sido fatais! Mal pronunciara estas palavras, um torpor lhe ganha todos os membros; seu peito começou a revestir-se de uma leve casca; seus cabelos transformaram-se em folhas; seus braços mudam-se em galhos; os pés cravam-se no chão, como raízes; seu rosto tornou-se o cimo do arbusto, nada conservando do que fora, a não ser a beleza. Apolo abraçou-se aos ramos da árvore e beijou ardentemente a madeira. Os ramos afastaram-se de seus lábios. - Já que não podes ser minha esposa - exclamou o deus - serás minha planta preferida. Usarei tuas folhas como coroa; com elas enfeitarei minha lira e minha aljava; e quando os grandes conquistadores romanos caminharem para o Capitólio, à frente dos cortejos triunfais, serás usada como coroas para suas frontes. E, tão eternamente jovem quanto eu próprio, também hás de ser sempre verde e tuas folhas não envelhecerão.
publicado por olharopassado às 17:38
|

Esculápio, filho de Apolo, foi dotado por seu pai de tal habilidade na arte de curarque chegava a restituir a vida aos mortos. Plutão (Hades) alarmou-se com isso e conseguiu que Júpiter (Zeus) o fulminasse com um raio. Apolo, indignado com a morte do filho, tratou de vingar-se nos inocentes trabalhadores que haviam construído o raio. Eram os ciclopes, que tinham sua oficina sob o Monte Eta, do qual estão constantemente saindo as chamas e a fumaça provindas daquela oficina. Apolo desfechou suas flechas contra os ciclopes, o que irritou Júpiter a tal ponto que o condenou a tornar-se servo de um mortal, durante um ano. Assim, Apolo foi servir a Admeto, Rei da Tessália, tomando conta de seus rebanhos, nas verdejantes margens do Rio Afrisos. Admeto era um dos pretendentes à mão de Alcestes, filha de Pélias, que a prometera àquele que a fosse procurar num carro puxado por leões e javalis. Admeto executou uma tarefa, com a ajuda de seu divino pastor, e foi premiado com Alcestes. Admeto, porém, adoeceu e, estando às portas da morte, Apolo conseguiu que as Parcas o poupassem, com a condição de que alguém se dispusesse a morrer em seu lugar. Muito alegre com essa esperança, Admeto não se preocupou muito com o resgate, talvez se lembrando dos protestos de dedicação que ouvira muitas vezes da boca dos cortesãos e dos servos. Pensou que seria muito fácil encontrar um substituto. Tal não se deu, porém. Guerreiros valentes, que, de boa vontade, arriscavam a vida por seu príncipe, recuavam ante a idéia de morrer por ele num leito de enfermo, e os servos que lhe deviam benefícios e que se encontravam a serviço de sua casa desde a infância não se dispunham a sacrificar os poucos dias que lhes restavam para mostrar sua gratidão. "Por que um de seus pais não se sacrifica?" perguntavam. "De acordo com as leis da natureza, eles não poderão viver muito mais e quem estará mais indicado que eles para resgatar uma vida a que deram origem?" Os pais, contudo, por mais pesarosos que estivessem ante a iminência de perder o filho, não atendiam ao apelo para salvá-lo. Então, Alcestes, com admirável abnegação, ofereceu-se como substituta. Admeto, por mais amor que tivesse à vida, não desejava mantê-la a tal custo, mas não havia remédio. A condição imposta pelas Parcas fora satisfeita e o decreto era irrevogável. Alcestes adoeceu, ao passo que Admeto se restabelecia, e aproximava-se rapidamente da sepultura. Justamente nessa ocasião, Hércules chegou ao Palácio de Admeto e encontrou todos os moradores pesarosíssimos, ante a iminência da morte da dedicada esposa e querida senhora. Hércules, para quem não havia trabalho bastante árduo, resolveu tentar salvar a rainha. Ficou na porta do seu quarto e, quando a Morte chegou à procura de sua presa, agarrou-a e obrigou-a a desistir de sua vítima. Alcestes restabeleceu-se e foi restituída ao marido.
publicado por olharopassado às 17:36
|

Os gregos possuem uma lenda para explicar sua origem. Tal lenda diz que num labirinto habitava o Minotauro, monstro com cabeça de touro e corpo de homem. O minotauro dominava a Grécia, obrigando seu povo a pagar pesados tributos, entre os quais a entrega de jovens gregos para servi-lo. O labirinto, em que se escondia o Minotauro, impedia que os gregos pudesse enfrentar o monstro para libertar a Grécia de seu terrível domínio. Um dia, porém, um jovem grego chamado Teseu decidiu acabar com o monstro. Auxiliado por Ariadne, uma das servas do Minotauro, penetroou no labirinto, achou o monstro e destruiu-o, conquistando a liberdade para a Grécia. A lenda do Minotauro estabelece relações significativas com o domínio de Creta sobre o território grego. O nome do monstro deriva da denominação do soberano cretense: Minos. Além disso, segundo recentes achados arqueológicos, o rei habitava um palácio, em Cnossos, formado por inúmeros compartimentos, assemelhando-se muito a um labirinto.
publicado por olharopassado às 17:33
|

Era filho de Marco Aurélio e de Faustina a Jovem[1], nasceu no dia anterior às calendas de setembro[2] e foi o primeiro imperador, numa série de cinco, a ascender ao poder por laços de sangue e não por adoção. É frequentemente citado como tendo sido um dos piores imperadores romanos, tendo o seu reinado marcado o final da chamada era dos Cinco bons imperadores. Ele teve um irmão gẽmeo[1] chamado Antonino[2], e sua mãe tinha sonhos, quando grávida, de que daria a luz serpentes[1]. Antonino, porém, só viveu até os quatro anos de idade[3]. Cómodo foi educado em literatura grega por Onesicrates, em latim por Antistius Capella e em retórica por Ateius Sanctus Em 176, seu pai o nomeou co-imperador, e até a morte de Marco Aurélio os dois governaram juntos, durante a guerra contra os Marcomanos. No entanto, com a morte de Marco Aurélio, Cômodo preferiu, contra a opinião dos assessores do pai, encerrar a política de guerra total de Marco Aurélio e fazer com os germanos uma paz negociada - muito embora o exército romano estivesse envolvido, entre 180 e 182, em campanhas de "limpeza" na região danubiana. A renúncia a conquistas de territórios, muito embora levasse em conta o fato de os recursos econômicos romanos, desde a época de Trajano, serem insuficientes para manter um número crescente de tropas permanentes sem uma grande expansão da base tributária existente, era algo que, desde a renúncia às inseguras conquistas asiáticas de Trajano por Adriano, tendia a desagradar à elite governante romana, que via com isso suas oportunidades de ocupar cargos públicos reduzidas. A renúncia a uma política ofensiva de Cômodo deveria, de saída, aliená-lo, como Adriano, dos grupos tradicionalistas muito poderosos no Senado , com o qual começou desde cedo a entrar em atrito. A tradição de Cômodo como "mau" imperador (com as usuais acusações de depravações sexuais e extravagâncias, preservadas na sua biografia romanceada na História Augusta) vem, muito provavelmente, daí. Cómodo celebrizou-se, segundo a tradição, pelo gosto dos espetáculos violentos. E esse seu gosto pela violência teria começado muito cedo: diz-se que, aos 12 anos de idade, após reclamar de um banho muito quente, exigiu que o criado responsável fosse queimado vivo. Os demais serventes lançaram o corpo de um animal ao fogo, dizendo tratar-se do responsável pelo banho. Cómodo, então, ficou de frente para o fogo, apreciando o cheiro da carne queimada. Este gosto pelos espetáculos seria transformado num instrumento político com sua ascensão ao trono. Diante da oposição do Senado, Cômodo procurou legitimar seu governo com base no carisma religioso, combinado a um carisma pessoal: fez empréstimos importantes às religiões orientais e promoveu o culto de Júpiter Summus Exsuperantissimus, como centro de um novo panteão romano, no qual estariam representados os deuses estrangeiros. Também apresentou-se como gladiador no anfiteatro, e devido à sua devoção ao culto de Hércules, um dos mitológicos filhos de Júpiter, autodenominou-se Hércules Romanus, impondo que o adorassem como a reencarnação de Hércules. Emitiu uma série de moedas em que se fazia representar como Hércules, com a clava, o arco, flechas e uma pele de leão. Grande admirador das lutas entre gladiadores, Cómodo organizou, em 192, uma série de combates, com duração de duas semanas, chegando a participar pessoalmente deles, usando roupas e armas semelhantes às de Hércules. Apareceu inclusive no Senado vestindo essas roupas. Logo no início de seu reinado, teve de enfrentar uma conspiração baseada no Senado e liderada por sua sua irmã Lucila- a qual era viúva do colega de Marco Aurélio como imperador, Lúcio Vero, e casada com um dos principais generais de Marco Aurélio, Tiberius Claudius Pompeianus. Cômodo exilou - e mais tarde executou - Lucila, ao mesmo tempo que simplesmente afastou Pompeianus (com o qual Lucila jamais estivera em boas relações, por conta da idade avançada e da origem plebéia do segundo marido) da vida pública. A partir daí, apoiou-se no seu prefeito do Pretório Perénio , que em 182 tornou seu cargo o posto mais elevado da hierarquia administrativa imperial. Perênio foi no entanto afastado e executado em 185, sendo substituído como favorito por Cleandro, que recebeu o título de amicus princeps e passou a dirigir o governo imperial de fato, assumindo a prefeitura em 189. Em 190, Cleandro seria derrubado por uma intriga de bastidores, e o poder real passou ao camareiro Eclectus e ao novo prefeito Laetus. A hostilidade entre os imperadores e o Senado não era uma novidade na história do Império Romano, e Adriano já havia preferido governar apoiando-se num conselho de amigos pessoais e funcionários administrativos, mantendo-se através de suas viagens, longe do Senado e em contato direto com as elites provinciais, com bons resultados. Diferentemente de Adriano, no entanto, Cômodo, apesar da noção exaltada e quase religiosa que possuía do seu cargo, não tinha interesse pelas tarefas quotidianas de governo - talvez devido à sua posição de "mais nobre príncipe", nobilissimus princeps, que lhe vinha de haver nascido quando o pai já tinha o poder imperial - demonstrando um profundo aborrecimento e desconsideração pelo cargo que ocupava; à medida que seu reinado avançava, passava cada vez menos tempo em Roma, preferindo manter-se isolado nas suas propriedades em Lanuvium. Chegou a nomear, em 189, sob a influência de Cleandro, 25 cônsules, sendo frequentes os julgamentos nos tribunais serem resolvidos com dinheiro, vendendo-se igualmente cargos públicos, no governo e na magistratura. Durante o seu período como imperador teve, contudo, o bom senso de escolher para as províncias e para o exército indivíduos com capacidades de administração, bem como o cuidado em atender a solicitações dos mais oprimidos, como o caso dos colonos africanos. Organizou uma frota que fazia periodicamente o transporte de trigo do Norte da África, como alternativa às importações de trigo do Egito, até então a principal base de abastecimento da plebe romana, à qual deu o nome de Alexandria Commodiana Togata(a partir da época de Constantino I, a frota do Egito seria utilizada para o abastecimento de Constantinopla, e a da África para o de Roma). Foi tolerante com os cristãos. Diante da crise de legitimidade constante, o grupo de assessores mais próximos do imperador - que incluía o futuro imperador Septímio Severo, então governador da Panônia (e um dos 25 cônsules de 189), e seu irmão Públio Septímio Geta, governador da Dácia - resolveu-se pelo afastamento do imperador: em 31 de dezembro de 192, a pedido da favorita de Cômodo, Márcia, um campeão de lutas chamado Narciso estrangulou o imperador durante o banho. Cómodo foi então enterrado no mausoléu de Adriano. Sua morte violenta marcou o início de um período de grande instabilidade política em Roma
publicado por olharopassado às 14:54
|

O seu tio Antonino Pio designou-o como herdeiro em 25 de fevereiro de 138 (pouco depois de ele mesmo ter sucedido a Adriano). Marco Aurélio tinha então apenas dezessete anos de idade. Antonino, no entanto, também designou Lúcio Vero como sucessor. Quando Antonino faleceu, Marco Aurélio subiu ao trono em conjunto com Vero, na condição de serem co-imperadores (agustos), ressalvando no entanto que a sua posição seria superior à de Vero. Os motivos que conduziram a esta divisão do poder são desconhecidos. No entanto, esta sucessão conjunta pôde muito bem ter sido motivada pelas cada vez maiores exigências militares que o império atravessava. Durante o reinado de Marco Aurélio, as fronteiras do Império Romano foram constantemente atacadas por diversos povos: na Europa, germanos tentavam penetrar na Gália, e na Ásia, os partos renovaram os seus assaltos. Sendo necessária uma figura autoritária para guiar as tropas, e não podendo o mesmo imperador defender as duas fronteiras em simultâneo, nem tão-pouco nomear um lugar-tenente que poderia (tal como, de resto, fizeram Júlio César ou Vespasiano) usar o seu poder, após uma portentosa vitória, para derrubar o governo e instalar-se a si mesmo como imperador. Busto de Marco Aurélio, no Museu do Prado.Assim sendo, Marco Aurélio teria resolvido a questão enviando o co-imperador Vero como comandante das legiões situadas no oriente. Vero era suficientemente forte para comandar tropas, e ao mesmo tempo já detinha parte do poder, o que certamente não o encorajava a querer derrubar Marco Aurélio. O plano deste último revelou-se um sucesso - Lúcio Vero permaneceu leal até à sua morte, em campanha, no ano 169. De certa forma, este exercício dual do poder no início do reinado de Marco Aurélio parece uma reminiscência do sistema político da República Romana, assente na colegialidade dos cargos e impedindo que uma única pessoa tomasse conta do poder supremo - como sucedia com os cônsules, sempre nomeados em número de dois. A colegialidade do poder supremo foi reavivada mais tarde por Diocleciano, quando este estabeleceu a Tetrarquia imperial em finais do século III. Marco Aurélio casou-se com Faustina, a Jovem, filha de Antonino Pio e da imperatriz Faustina a Velha, em 145. Durante os seus trinta anos de casamento, Faustina gerou 13 filhos, entre os quais Cómodo, que se tornou imperador após Marco Aurélio, e Lucila, a qual casou com Lúcio Vero para solidificar a sua aliança com Marco Aurélio. Marco Aurélio faleceu em 17 de março de 180, durante uma expedição contra os marcomanos, que cercavam Vindobona (actual Viena, na Áustria). As suas cinzas foram trazidas para Roma, e depositadas no mausoléu de Adriano. Pouco anos antes de morrer, designou o seu filho Cómodo como herdeiro (o qual foi o primeiro imperador a suceder a outro por via consaguínea, e não por adopção, desde o final do século I), tendo-o ainda feito co-imperador em 177. Estátua eqüestre de Marco Aurélio, Museus CapitolinosNo entanto, Cómodo, para além de ser egocêntrico, não estava preparado para o exercício do poder. Por isso, muitos historiadores fazem coincidir o início do declínio de Roma com a morte de Marco Aurélio e a ascensão ao trono de Cómodo. Diz-se até que a sua morte foi a morte da Pax Romana.
publicado por olharopassado às 14:49
|

As lendas mais antigas apontam Zeus como o mais jovem dos crônidas (filhos de Cronos). Diante de uma profecia de sua mãe, a deusa Gaia (Terra), de que um dos filhos usurpar-lhe-ia o trono, Cronos vivia atormentado. Todas às vezes que Réia (Cibele), sua esposa, dava à luz a um filho, ele devorava-o logo a seguir. Réia sofria com a perda dos filhos, cinco deles já tinham sido devorados pelo marido. Para proteger o sexto filho que o seu ventre gerava, Réia pediu auxílio a Gaia, que lhe ajudou a engendrar um plano. Momentos antes do parto, a deusa iludiu a vigilância de Cronos, indo dar à luz em uma caverna distante. Nasceu-lhe Zeus, que foi entregue às Ninfas e aos Curetes, jovens sacerdotes de Réia. Ao voltar para junto do marido, a deusa pôs em prática o plano de Gaia. Apanhou do chão uma pedra, envolveu-a em grossas faixas, entregando-a para Cronos, como se fosse o filho. Na voracidade de devorar aquele que lhe poderia usurpar o poder sobre os deuses, Cronos engoliu a pedra a pensar ser o filho recém nascido. Zeus estava salvo, e voltaria para cumprir a profecia de destronar o pai. Ao derrotar os Titãs e os Gigantes, destronando o pai Cronos (Saturno), Zeus (Júpiter), tornou-se o senhor absoluto do mundo e dos deuses. O seu reinado, comandado do alto do Olimpo, pôs fim à desordem do universo, antes governado pelas divindades primordiais, que traziam as forças desordenadas, como os vulcões e os terremotos, ou como a de Cronos, o deus do tempo, que a tudo devora e destrói. Zeus faz triunfar a ordem e a razão, que equilibra os instintos selvagens e as emoções desenfreadas dos deuses primitivos
publicado por olharopassado às 14:27
|

Hércules (ou Héracles), o maior de todos os heróis gregos, era filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de Anfitrião enquanto este estava ausente de casa. Quando seu marido retornou e descobriu o que tinha acontecido, ficou tão irado que construiu uma grande pira e teria queimado Alcmena viva, se Zeus não tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forçando assim Anfitrião a aceitar a situação. Nascido, o jovem Hércules rapidamente revelou seu potencial heróico. Enquanto ainda no berço, ele estrangulou duas serpentes que a ciumenta Hera, esposa de Zeus, tinha mandado para atacá-lo ao seu meio-irmão Íflico; enquanto ainda um menino, ele matou um leão selvagem no Monte Citéron. Na vida adulta, as aventuras de Hércules foram maiores e mais espetaculares do que as de qualquer outro herói. Por toda a antigüidade ele foi muito popular, o assunto de numerosas estórias e incontáveis obras de arte. Apesar das mais coerentes fontes literárias sobre suas façanhas datarem apenas do século III a.C., citações espalhadas por vários locais e a evidência de fontes artísticas deixam muito claro o fato que a maioria, se não todas, de suas aventuras era bem conhecida em tempos mais antigos. Hércules realizou seus famosos doze trabalhos sob o comando de Euristeu, Rei de Argos de Micenas. Existem várias explicações da razão pela qual Hércules se sentiu obrigado a realizar os pedidos cansativos e aparentemente impossíveis de Euristeu. Uma fonte sugere que os trabalhos eram uma penitência imposta ao herói pelo Oráculo de Delfos quando, num acesso de loucura, matou todos os filhos de seu primeiro casamento. Enquanto os seis primeiros trabalhos se passam no Peloponeso, os últimos levaram Hércules a vários lugares na orla do mundo grego e além. Durante os trabalhos, Hércules foi perseguido pelo ódio da deusa Hera, que tinha ciúmes dos filhos de Zeus com outras mulheres. A deusa Atena, por outro lado, era uma defensora entusiasta de Hércules; ele também desfrutou da companhia e ajuda ocasional de seu sobrinho, Iolau. O primeiro trabalho de Hércules era matar o leão de Neméia. Como esta enorme fera era invulnerável a qualquer arma, Hércules lutou com ele e acabou estrangulando-o apenas com suas mãos. A seguir, ele removeu a pele utilizando uma de suas garras, e passou a utilizá-la como uma capa, com as patas amarradas ao redor de seu pescoço, as presas surgindo sobre sua cabeça, e a cauda balançando em suas costas. O segundo trabalho exigiu a destruição da Hidra de Lerna, uma cobra aquática com várias cabeças, que estava flagelando os pântanos perto de Lerna. Sempre que Hércules decepava uma cabeça, duas cresciam em seu lugar, e, como se isso não fosse um problema suficiente, Hera enviou um caranguejo gigante para morder o pé de Hércules. Este truque desleal foi demais para o herói, que decidiu pedir ajuda a Iolau; enquanto Hércules cortava as cabeças, Iolau cauterizava os locais com uma tocha flamejante, de modo que novas cabeças não pudessem crescer, e finalmente dando cabo do monstro. A seguir, Hércules embebeu a ponta de suas flechas no sangue ou veneno da Hidra, tornando-as venenosas. No Monte Erimanto, um feroz javali estava se portando violentamente e causando prejuízos. Euristeu rispidamente ordenou a Hércules que trouxesse este animal vivo à sua presença, mas as antigas ilustrações deste episódio, as quais mostram principalmente Euristeu acovardado refugiando-se num grande jarro, sugerem que ele veio a se arrepender desta ordem. Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a Corça do Monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso. Este animal era sagrado para a deusa Ártemis e, apesar de ser fêmea, possuía lindas aspas. De acordo com a lenda, Hércules finalmente aprisionou a Corça e a estava levando para Euristeu, encontrou-se com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matar Hércules pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, ela concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto. Os Pássaros Estinfalos eram tão numerosos que estavam destruindo todas as plantações nas vizinhanças do Lago Estinfalo em Arcádia; várias fontes dizem que eles eram comedores de homens, ou pelo menos podiam atirar suas penas como se fossem flechas. Não está muito claro como Hércules enfrentou este desafio: uma pintura de um vaso mostra Hércules atacando-os com um tipo de estilingue, mas outras fontes sugerem que ele os abateu com arco e flecha, ou os espantou para longe utilizando um címbalo de bronze feito especialmente para a tarefa pelo deus Hefesto. O último dos seis trabalhos do Peloponeso foi a limpeza dos currais Augianos. O Rei Áugias de Élida possuía grandes rebanhos de gado, cujos currais nunca tinham sido limpos, assim o estrume tinha vários metros de profundidade. Euristeu deve Ter pensado que a tarefa de limpar os estábulos num único dia seria impossível, mas Hércules uma vez mais conseguiu resolver a situação, desviando o curso de um rio e as águas fizeram todo o trabalho por ele. Euristeu pede agora que Hércules capture o selvagem e fez touro de Creta, o primeiro trabalho fora de Peloponeso. Assim que Euristeu viu o animal, Hércules o soltou, este sobrevivendo até ser morto por Teseu em Maratona. A seguir, Euristeu enviou Hércules à Trácia para trazer os cavalos devoradores de homens de Diomedes. Hércules amansou estes animais alimentando-os com seu brutal senhor, e os trouxe de maneira segura a Euristeu. A seguir, ele foi imediatamente mandado, desta vez para as margens do Mar Negro, para buscar a cinta da rainha das Amazonas. Hércules levou um exército junto consigo nesta ocasião, mas nunca precisaria dele se Hera não tivesse criado problemas. Quando chegou à cidade das Amazonas de Temisquira, a rainha das Amazonas estava até feliz que ele levasse sua cinta; Hera, sentindo que estava sendo fácil demais, espalhou um boato que Hércules pretendia levar a própria rainha, iniciando-se uma sangrenta batalha. Hércules, é claro, conseguiu escapar com a cinta, mas após apenas duros combates e muitas mortes. Para realizar seus três últimos trabalhos, Hércules foi completamente fora das fronteiras do mundo grego. Primeiro foi mandado além da borda do Oceano para a distante Eritéia no extremo ocidente, para buscar o Rebanho de Gérião. Gérião era um formidável desafio; não apenas tinha um corpo triplo, mas para ajudá-lo a tomar conta de seu maravilhoso rebanho vermelho também utilizava um feroz pastor chamado Euritão e um cachorro de duas cabeças e rabo de serpente chamado Orto. Orto era o irmão de Cérbero, o cão que guardava a entrada do Mundo Inferior, e o encontro de Hércules com Gérião é algumas vezes interpretado como seu primeiro encontro com a morte. Apesar de Hércules Ter se livrado de Euritão e Orto sem muito dificuldade, Gérião, com seus três corpos pesadamente armados, provou ser um adversário mais formidável, e apenas após uma terrível luta Hércules conseguiu matá-lo. Quando retornou à Grécia, Euristeu enviou para uma jornada ainda mais desesperadora, descer ao Mundo Inferior e trazer Cérbero, o próprio cão do Inferno. Guiado pelo deus mensageiro Hermes, Hércules desceu ao lúgubre reino dos mortos, e com o consentimento de Hades e Perséfone tomou emprestado o monstro assustador e de três cabeças para mostrá-lo ao aterrorizado Euristeu; isto feito, devolveu o cachorro a seus donos de direito. Mesmo assim, Euristeu solicitou um último trabalho: que Hércules lhe trouxesse os Pomos do Ouro de Hespérides. Estes pomos, a fonte da eterna juventude dos deuses, cresciam em um jardim nos confins da terra; foram um presente de casamento de Géia, a Terra, a Zeus e Hera. A árvore que dava as frutas douradas era cuidada pelas ninfas chamadas Hespérides e guardada por uma serpente. Os relatos variam sobre como Hércules resolveu este trabalho final. As fontes que localizam o jardim abaixo das montanhas Atlas, onde o poderoso Atlas sustenta os céus em suas costas, dizem que Hércules convenceu Atlas a pegar as maças por ele; enquanto fazia esta jornada Hércules sustentou, ele mesmo, o céu; quando Atlas retornou, Hércules teve algumas dificuldades em persuadi-lo a reassumir o seu fardo. Outra versão da estória sugere que o próprio Hércules foi ao jardim lutando e matando a serpente ou conseguindo convencer as Hespérides a lhe entregar as maças. As maças de Hespérides simbolizavam a imortalidade, e este trabalho final significaria que Hércules deveria ascender ao Olimpo, tomando seu lugar entre os deuses. Além dos doze trabalhos, muitos outros feitos heróicos e aventuras foram atribuídos a Hércules. Na sua busca do jardim das Hespérides, teve que lutar com o deus marinho Nereu para compelir o deus a dar-lhe as informações que necessitava; em outra ocasião enfrentou outra deidade marinha, Tritão. Tradicionalmente foi na Líbia que Hércules encontrou o gigante Anteu: Anteu era filho de Géia, a Terra, e ele era invulnerável enquanto mantivesse contato físico com sua mãe. Hércules lutou com ele e ergueu-o do solo; desprovido da ajuda de sua mãe, ficou indefeso nos braços poderosos do herói. No Egito Hércules escapou por pouco de ser sacrificado pelas mãos do Rei Busíris. Um advinho tinha dito a Busíris que o sacrifício de estrangeiros era um método infalível de se lidar com as secas. Como o advinho era Cipriota, tornou-se a primeira vítima de seu próprio conselho; quando o método se mostrou efetivo, Busíris ordenou que todo o estrangeiro temerário o suficiente a entrar em seu reino seria sacrificado. Na vez de Hércules, deixou-se ser aprisionado e levado ao local do sacrifício antes de se voltar contra seus agressores e matar uma grande quantidade deles. Hércules não raramente se envolvia em conflito com os deuses. Em uma ocasião, quando não recebeu uma resposta que estava esperando da sacerdotisa do Oráculo de Delfos, tentou fugir com o trípode sagrado, dizendo que iria criar um oráculo melhor por sua própria conta. Quando Apolo tentou detê-lo, ocorreu uma violenta discussão, que foi resolvida apenas quando Zeus arremessou um relâmpago entre eles. Hércules era muito leal aos seus amigos; mais do que uma vez ele arriscou sua vida para ajudá-los, sendo o caso mais espetacular o de Alceste. Admeto, Rei de Feres na Tessália, tinha feito um acordo com Apolo que, quando chegasse a hora de sua morte, poderia continuar a viver se encontrasse alguém que quisesse morrer em seu lugar. Entretanto, quando Admeto estava se aproximando da hora da sua morte, mostrou-se ser mais difícil do que tinha calculado arranjar um substituto; após seus parentes mais velhos terem egoisticamente se recusado ao sacrifício, sua esposa Alceste insistiu para que fosse a sacrificada. Quando Hércules chegou, ela já tinha descido ao Mundo Inferior, indo ele imediatamente atrás dela. Então lutou com a morte e venceu, trazendo-a de volta em triunfo ao mundo dos vivos. Hércules era o super-homem grego, sendo muitas das estórias de seus feitos interessantes contos de realizações sobre-humanas e monstros fabulosos. Ao mesmo tempo Hércules, assim como Ulisses, também atua como se fosse um homem comum, sendo suas aventuras como parábolas exageradas da experiência humana. Irritadiço, não extremamente inteligente, apreciador do vinho e das mulheres (suas aventuras amorosas são muito numerosas), era uma figura eminentemente simpática; e no geral seu exemplo deveria ser seguido, pois destruía o mal e defendia o bem, superando todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Além de tudo, ofereceu alguma esperança para a derrota da ameaça última e crucial do homem, a morte. O fim de Hércules foi caracteristicamente dramático. Uma vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam atravessando um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para transportar Dejanira, e no meio da correnteza tentou raptá-la. Hércules matou-o com uma de suas flechas envenenadas, e ao morrer, Nesso, simulando arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de sangue do seu ferimento e guardá-lo; se Hércules algum dia parecesse cansado dela, deveria embeber um traje no sangue e dá-lo para que ele o vestisse; após isso, ele nunca mais olharia para outra mulher. Anos mais tarde Dejanira lembrou-se deste conselho quando Hércules, voltando de uma distante campanha, mandou à frente uma linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido pelo sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra penetrou na sua pele e ele tombou em terrível agonia. Seu filho mais velho, Hilo, levou-o ao Monte Eta e depositou seu corpo, retorcido porém ainda respirando, numa pira funerária, a qual acabou sendo acesa pelo herói Filoctetes. Entretanto, os trabalhos de Hércules asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo e assumiu seu lugar entre os deuses que vivem eternamente.
publicado por olharopassado às 14:26
|

.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Fevereiro 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28


.arquivos
2011

.links
.as minhas fotos
.subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro